terça-feira, 30 de novembro de 2010

Conselho Estadual confirma que Puccinelli descumpre Constituição e tira verba da saúde

Hélder Rafael

O governo do Estado sofreu uma derrota ao tentar explicar por que descumpre a Constituição Federal sobre os investimentos na área de saúde. Durante reunião do pleno do Conselho Estadual de Saúde (CES/MS), nesta sexta-feira (26), a secretária estadual de saúde Beatriz Dobashi não conseguiu convencer os membros sobre os números apresentados no relatório de gestão 2009.

Como resultado, os conselheiros aprovaram sete deliberações ao governo, que terá 30 dias a partir da publicação em Diário Oficial para responder aos questionamentos.

A reunião plenária realizada na Escola de Saúde Pública, em Campo Grande, contou com a presença de conselheiros de várias cidades do interior, representantes do Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União e auditoria do SUS (Denasus). O Conselho colocou em dúvida a aplicação de R$ 618 milhões em saúde no ano passado - dados apresentados pelo governo. O índice (15% sobre a receita líquida) estaria de acordo com a Emenda Constitucional nº 29 - que manda os estados aplicarem 12% da arrecadação de impostos no setor.

O problema levantado pelos conselheiros em maio deste ano está na inclusão de recursos indiretamente destinados à saúde, e que "incharam" as contas para atender a meta imposta pela Constituição. Os membros apontaram que R$ 186 milhões correspondiam à amortização de dívidas, e outros R$ 80 milhões viriam da Lei estadual do Rateio - em resumo, dinheiro que não é destinado a hospitais, postos de saúde, insumos e profissionais.

Pela análise do Conselho, apenas R$ 351 milhões foram efetivamente aplicados na saúde. Isso constitui um índice (8,56%) abaixo do que reza a Constituição. Evidenciada a diferença entre o alegado e o aplicado de fato, o CES/MS exige do governo a restituição de R$ 140 milhões ao Fundo Estadual de Saúde.

As divergências contábeis levaram o Denasus a promover uma auditoria nas contas do governo em anos anteriores, e foi constatada a "injeção" de dinheiro de outras pastas no orçamento da saúde. Só que o órgão não foi capaz de produzir um relatório consolidado para apontar a comprovação de origem desse dinheiro que não está no Fundo Estadual.

Dobashi admite: "governo não consegue cumprir meta"

Beatriz Dobashi admitiu que o governo do Estado não consegue cumprir a determinação constitucional de investir 12% da arrecadação de impostos em saúde. Mas assegura que não houve "mentira" nos números apresentados no relatório de gestão 2009. "A gente nunca camuflou dado nenhum", disse aos conselheiros durante a reunião.

A secretária afirmou que a atual gestão assumiu em 2007 com o compromisso de cumprir a lei ao fim de quatro anos. Descontando-se os artifícios fiscais, o governo Puccinelli elevou os repasses nominais na saúde, passando de R$ 197 milhões em 2006 para R$ 337 milhões em 2009 - mas os índices sempre ficaram aquém do esperado. "Não existem recursos para passar de 5% para 12% (os repasses à saúde) de uma hora para outra", argumentou.

O governo chegou a ser questionado pelo Datasus e até elaborou um relatório de justificativas referentes ao exercício de 2007, mas Dobashi afirmou que os auditores jamais responderam aos encaminhamentos.

Dinheiro fora do fundo

Apesar de a secretária Dobashi ter garantido que o governo não mantém "nenhum tostão" da saúde fora do Fundo Estadual, o procurador Felipe Fritz Braga alertou aos conselheiros para a existência de dinheiro em outras áreas. Por meio de slides, ele explicou como funciona a complexa Lei do Rateio (nº 2261/2001), que permite "malabarismos" fiscais para emprestar recursos de outras secretarias, órgãos e autarquias e injetar no orçamento da saúde estadual.

Para Fritz Braga, não são válidas as afirmações de que a Emenda 29 não estaria regulamentada, e que isso permitiria aos governos descumpri-la. Ele explicou que o parágrafo 3º do artigo 77 dos atos transitórios da Carta Magna determina que todo o investimento em saúde seja feito por meio de um Fundo Estadual. O dispositivo serve exatamente para suprir a lacuna deixada pela falta de regulamentação. "Não tem por que esperar", disse.

O procurador afirmou ainda que a Lei do Rateio é inconstitucional e está sendo questionada há mais de cinco anos no Supremo Tribunal Federal, por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin).

MPE e Assembleia inertes

Os deputados estaduais foram convidados a participar da plenária desta sexta-feira (26), mas nenhum deles compareceu. Mas o que chamou a atenção dos conselheiros foi a ausência dos membros da Comissão Permanente de Saúde e Seguridade Social da Assembleia Legislativa: presidente Professor Rinaldo (PSDB); vice Antonio Carlos Arroyo (PR); e membros Celina Jallad (PMDB), Marquinhos Trad (PMDB) e Amarildo Cruz (PT).

Outra entidade que tem participação no caso mas ainda não se manifestou de maneira conclusiva foi o Ministério Público Estadual, por meio 32ª Promotoria de Justiça, cuja titular é Sara Francisco Silva. Segundo Dobashi, o MPE chegou a acionar a Secretaria Estadual de Saúde e recebeu todas as justificativas solicitadas, mas não deu respostas até agora.

Deliberações
Alessandra de Souza

A presidente do CES/MS, Darci Goulart, analisa que o órgao obteve uma vitória importante na reunião plenária. "Os dados apresentados não foram suficientes para convencer o Conselho porque a realidade não condiz com os números. E ainda, nós não temos conhecimento real das aplicações em saúde", declarou.
O pleno aprovou as seguintes propostas:

* cobrança ao STF para agilizar o julgamento da Adin para derrubar a Lei do Rateio, com mobilização de Câmaras Municipais, conselhos municipais e órgãos ligados à saúde;
* agendamento de audiência pública na Assembleia Legislativa, no 1º semestre de 2011, para discutir a revogação da Lei do Rateio;
* cobrança ao Congresso Nacional para regulamentar a Emenda 29;
* exigir do governo do Estado que todo o dinheiro aplicado em saúde passe pelo Fundo Estadual;
* devolução de R$ 140 milhões ao Fundo Estadual de Saúde;
* moção de repúdio ao governador André Puccinelli por alegar que aplica índices constitucionais na saúde, quando na verdade os valores estão abaixo do que diz a lei;
* solicitação ao Denasus para apresentar relatório conclusivo sobre as auditorias feitas nas contas do governo.


Notícias relacionadas
25/11/2010
18h00 HR adia quimioterapia por atraso na entrega de medicamento
23/11/2010
20h10 Situação da saúde em MS volta a pauta do Senado Federal
25/11/2010
23h00 MPE diz que precisa de auxílio de Ministério da Saúde para apurar denúncias
23h00 Ministério da Saúde afirma que HR não solicitou desabilitação de leitos
24/11/2010
08h20 Governo alega "reformas" e fecha outra ala do Hospital Regional mesmo sob protestos
19/11/2010
09h00 Procurador do MPF pede, mas saúde pública não terá radioterapia no Estado
11/11/2010
19h08 Tomografia do HR volta a funcionar após compra de peça que estava desgastada
12/11/2010
09h19 Após contato com reportagem, HRMS viabiliza quimioterapia para jovem
08h30 Pai denuncia falta de medicamentos para tratamento quimioterápico no HR
10/11/2010
19h42 Leia na íntegra o discurso do senador Valter Pereira sobre o caos na saúde em MS
16/09/2010
08h20 Conselho Nacional de Saúde: reprovação de contas do estado deve virar ação judicial
22/08/2010
11h51 Médico diz que Ministério Público Estadual ‘engavetou’ denúncia contra HR
19/08/2010
07h40 Conselho Estadual de Saúde rejeita contas do Estado e pede devolução de R$ 140 milhões

domingo, 28 de novembro de 2010

Polícia encontra "clube do tráfico" no Complexo do Alemão

Terra Brasil - ‎há 21 minutos‎
Agentes da Polinter encontraram uma espécie de clube do tráfico dentro do Complexo do Alemão, na Penha, neste domingo. A letra G estava gravada no fundo da piscina do imóvel. A inicial é do bandido Gão, chefe do comércio de entorpecentes da Favela Faz ...
Pernambuco.com - O Globo - MSN - Estadão

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Zeca diz que obteve ‘vitória política’ e quer fortalecer o PT

Valdelice Bonifácio
Em artigo direcionado aos militantes de seu partido, o ex-governador Zeca do PT convoca filiados a fortalecer as zonais e setoriais do PT já pensando nas próximas disputas eleitorais. Zeca agradece à militância por tê-lo ajudado a conquistar mais de meio milhão de votos na disputa pelo governo do Estado nas eleições de outubro. Apesar de não ter derrotado o atual governador André Puccinelli (PMDB) que foi reeleito, Zeca cita que o PT junto com os partidos da Coligação ‘A Força do Povo’ obteve “grande vitória política”.
“O PT e os partidos da nossa coligação são hoje uma força política extraordinária e vamos prosseguir unidos defendendo as nossas bandeiras. Elegemos sete companheiros para a Assembléia Legislativa e dois deputados para Câmara Federal. Além disso, contribuímos com a vitória da nossa companheira Dilma Rousseff, a primeira mulher presidenta do país, um marco histórico que só podia ser construído pelo Partido dos Trabalhadores”, escreveu.
Zeca relata ter ficado emocionado com o empenho dos filiados, como há muito tempo não se via. “Agora, quero, com o seu apoio e a sua participação, fortalecer as zonais e setoriais do PT para, junto com a direção partidária, reconstruir um projeto político vitorioso para as próximas disputas”, diz.
Leia o artigo disponível do Blog de Zeca do PT
Muito obrigado, militantes do PT!
Combatemos o bom combate. Enfrentamos o poder econômico e o poder político com altivez e decência. Não nos rendemos, não nos curvamos e não nos vendemos. Nossas armas foram a sinceridade e o profundo respeito pelo povo. Minha eterna gratidão à militância aguerrida do meu partido. Foram mais de meio milhão de votos de confiança em nosso projeto.
Obtivemos uma grande vitória política. O PT e os partidos da nossa coligação são hoje uma força política extraordinária e vamos prosseguir unidos defendendo as nossas bandeiras. Elegemos sete companheiros para a Assembléia Legislativa e dois deputados para Câmara Federal. Além disso, contribuímos com a vitória da nossa companheira Dilma Rousseff, a primeira mulher presidenta do país, um marco histórico que só podia ser construído pelo Partido dos Trabalhadores.
Fizemos uma campanha militante, honesta e bonita. A Força do Povo foi às ruas, praças, aldeias indígenas, assentamentos, bairros, vilas, universidades, empresas e comércio. Conseguimos reencantar a juventude e o nosso povo para a participação política. Apresentamos propostas simples e viáveis. Firmamos o compromisso de fazer o nosso Mato Grosso do Sul voltar a crescer, promovendo o desenvolvimento regional e combatendo as desigualdades sociais e econômicas, colocando o Estado, novamente, no mesmo caminho do Brasil de Lula e de Dilma. Para isso, iríamos redemocratizar o Estado, criando canais efetivos de participação popular e diálogo com a sociedade. Iríamos governar com base nos referenciais contemporâneos da democracia participativa, respeitando as pessoas, as instituições, os Poderes, os servidores públicos, os municípios e a sociedade, acabando com o autoritarismo, a soberba e a prepotência. Fizemos a nossa parte.
Foi emocionante ver os militantes de novo nas ruas, erguendo com orgulho a bandeira do PT, panfletando os nossos compromissos, debatendo idéias e defendendo a nossa história, como há muito tempo não se via.
Agora, quero, com o seu apoio e a sua participação, fortalecer as zonais e setoriais do PT para, junto com a direção partidária, reconstruir um projeto político vitorioso para as próximas disputas. Mas, para isso, é preciso que cada companheiro e cada companheira do PT sintam-se parte deste projeto e tenham a oportunidade de, democrática e coletivamente, retomar a construção de um PT cada vez mais militante e presente na vida da população e nos Movimentos Populares.
“Ousar Lutar. Ousar Vencer!”
Um grande abraço

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Bancada de MS no Congresso discute apresentação de emendas ao orçamento 2011 da União


Éser Cáceres, com informações da assessoria

Os membros da bancada de Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional se reuniram nesta quarta-feira (17) para discutir a apresentação de emendas ao projeto do orçamento da União para 2011. Cada parlamentar pode apresentar até 25 emendas individuais com valor total de R$ 13 milhões e o prazo é a próxima quarta-feira (24).

Estiveram na sala de reuniões da biblioteca do Senado Federal os deputados federais Vander Lourbert (PT), Antônio Carlos Biffi (PT), Dagoberto Nogueira (PDT), Antônio Cruz (PP), Waldemir Moka (PMDB), Geraldo Resende (PMDB) e Marçal Filho (PMDB), além dos senadores Marisa Serrano (PSDB) e Delcídio do Amaral (PT).

Os representantes de MS em Brasília marcaram outra reunião para a terça-feira (23), quando pretendem definir quais emendas serão apresentadas pela bancada sul-mato-grossense.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Zeca: quem tiver com o pé em ‘duas canoas’ terá de se explicar

Valdelice Bonifácio
 
Passadas as eleições, o ex-governador Zeca do PT que concorreu ao governo do Estado prega a unidade interna no PT. Para ele, a legenda tem que cobrar explicações de lideranças ou militantes que, segundo ele, estejam com os pés em duas canoas.

“O Partido dos Trabalhadores de MS fez 42% dos votos na disputa estadual, construímos um bloco político fortalecido, ganhamos em 23 cidades, em varias cidades disputamos de igual para igual, somos vitoriosos, e saímos prontos para construir um projeto que fortaleça cada vez mais o PT. Os que tiveram com os pés em duas canoas vão ter que se explicar internamente para o partido e externamente para a sociedade”, afirmou.

O PT deixou passar o segundo turno das eleições presidenciais para iniciar a análise de casos de infidelidade partidária e comportamento de militantes que tenham atrapalhado o desempenho da sigla. A infidelidade pode ser punida até com expulsão do partido.

Zeca ressalta ainda que algumas das questões do PT são debatidas internamente entre as correntes e seus dirigentes políticos. “O PT é e sempre será um partido democrático. Algumas de nossas questões são debatidas internamente, pois temos instancias partidárias, dirigentes políticos e organização para isso”, disse.

sábado, 6 de novembro de 2010

Jogo Aberto: Novo escândalo ronda Câmara de Dourados (MS)



Cargo forte


As articulações já começam a fervilhar pela presidência da Câmara. Vander Loubet (PT) avisou que vai apoiar Cândido Vacarezza (SP), e deve ser acompanhado por Biffi. O DEM, que elegeu Mandetta, tende a ficar com os petistas. Na outra ponta, corre Luiz Henrique Alves (PMDB), que conta com apoio de três parlamentares no Estado. Resta saber como vota o PR e o PSDB, de Giroto e Reinaldo Azambuja.
Empréstimo consignado


Vereadores envolvidos em esquema de corrupção em Dourados agora aparecem envolvidos em outro crime. Falsificavam holerites de funcionários da Câmara para fazer empréstimos consignados. Como alguns estão presos, os pagamentos, é claro, não estão sendo efetuados e o assunto já virou “hit” nos corredores da Casa.
Cobrança indevida


Um desses vereadores presos, de acordo com as primeiras informações, teria mais de R$ 450 mil consignados em nome de terceiros. Oficialmente, ninguém diz nada, mas o fato é que esses funcionários estão sendo cobrados diariamente pelas instituições financeiras. E o pior: muitos estão correndo o risco de serem exonerados, depois de tanto “bafafá”.
Pagamento cortado


Ainda não há muitos detalhes sobre o esquema, mas tudo indica que a Câmara pagava estes empréstimos e depois descontava dos vereadores. A prefeita Délia Razuk (PMDB), quando presidiu a Casa, acabou com alguns abusos. Além disso, vereadores que estão presos e gastando mundos e fundos com advogados acabaram deixando de lado o esquema.
Expectativa


A notícia da posse do atual presidente do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), Luis Carlos Santini, no comando do Tribunal de Justiça, agradou repórteres de diversos veículos de comunicação. É que Santini gosta de dar entrevistas, o que facilita o trabalho da imprensa.
Troca


Com a saída de Santini, a presidência do TRE poderá ser preenchida pelo Desembargador Joenildo de Sousa Chaves ou pelo Desembargador Josué de Oliveira. O critério para definir os candidatos é a antiguidade. Um dos dois será o presidente e o outro ficará com a vice-presidência, além de acumular a função de corregedor.
Sem data


A eleição para a presidência do TRE/MS ainda não tem data marcada, mas a expectativa é de que seja realizada em dezembro. O mandato no tribunal é de dois anos renovável por igual período.
Sem telefonema


Após ter apoiado o então candidato José Serra (PSDB), o governador reeleito André Puccinelli (PMDB) contou que não telefonou para a presidente eleita Dilma Rousseff nem mesmo para dar os parabéns pela vitória. Ele também reafirmou ontem que, se não for convidado, não irá à posse da presidente eleita Dilma Rousseff. Puccinelli diz que não quer virar “puxa-saco” da ex-fada-madrinha.
Contando os dias


A próxima semana deve ser decisiva para a deputada estadual Celina Jallad (PMDB). É que dia 8 é a data divulgada pelo governador André Puccinelli (PMDB) para a aposentadoria do conselheiro Osmar Dutra. Assim, o TCE terá em breve uma mulher de toga.
Fanta uva


Um roubo que parecia fácil terminou na prisão do assaltante na manhã de ontem. O ladrão de 31 anos pensou que seria moleza assaltar uma mulher na avenida Bandeirantes, mas ao abordar a vítima descobriu que na verdade era uma travesti, que reagiu. O ladrão foi agredido até a chegada da polícia e teve que ser medicado antes de ser autuado por tentativa de roubo.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Campanha eleitoral de Ary Rigo recebeu doações de Puccinelli e até de Artuzi, preso por corrupção

Celso Bejarano

As prestações de contas entregues até anteontem ao TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) pelos candidatos eleitos e não eleitos exibem curiosas e suspeitas situações.

Uma delas aparece no relatório do deputado estadual Ary Rigo, do PSDB, pivô do escândalo que revelou um suposto esquema de corrupção implicando o governo do Estado, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público Estadual.

Rigo declarou a corte eleitoral ter gastado na campanha R$ 1.095.836,00, a terceira mais cara entre os concorrentes a um mandato estadual. Ainda assim, não foi reeleito.

Doador na cadeia

E, entre os doadores, surge na lista o nome de Ari Valdecir Artuzi, prefeito afastado de Dourados, preso no dia 1º de setembro passado, por suposta ligação com uma quadrilha que fraudava licitações públicas no município.

De acordo com a prestação de contas de Rigo, Artuzi teria feito uma doação “estimada” de R$ 2 mil a ele. Detalhe: o registro dessa doação, segundo declarado ao TRE, foi feito no dia 10 de setembro, nove dias após a Polícia Federal ter prendido Artuzi.

Ainda conforme as prestações de Rigo, primeiro-secretário da Assembleia, o governador reeleito André Puccinelli, do PMDB, teria também feito ao tucano três doações que somaram R$ 6.150,00.

Numa delas, no dia 28 de julho, por meio de um cheque no valor de R$ 5 mil. Já no dia 21 de julho, aparecem dois repasses, um no valor de R$ 150,00 e, outro de R$ 1 mil.

Escândalo

O escândalo que pôs em xeque a credibilidade dos poderes constituídos de Mato Grosso do Sul surgiu por meio do youtube, vídeo exibido na internet.

Sem saber que seu diálogo com um secretário do prefeito Artuzi era gravado por equipamentos da Polícia Federal, Ary Rigo afirmou que dinheiro da Assembleia Legislativa era repartido entre o governador André Puccinelli, desembargadores do TJ e o ex-chefe do MPE, Miguel Vieira. A suposta negociata seria fruto de troca de favores.

Após o vídeo ter alimentado notícias divulgadas em todo o país, o deputado tucano caiu numa espécie de ostracismo político ao ser abandonado pelos aliados. Ele já havia sido eleito seis vezes deputado estadual.

Eu nego

Rigo negou depois o dito na gravação. Onze dos 30 desembargadores e o MPE interpelaram o parlamentar judicialmente. O governador Puccinelli também prometeu acioná-lo judicialmente.

Os financiadores

Na lista dos financiadores da campanha de Rigo aparecem duas empresas que prestam serviço a Assembleia Legislativa: a Digitho Brasil Soluções em Software Ltda, que doou R$ 50 mil e a H2L Equipamentos e Sistemas Ltda, que contribuiu também com R$ 50 mil.

Ary Rigo, segundo declarado no TRE, tirou R$ 120 mil do bolso por sua campanha. Já a mulher dele, Márcia Rigo, R$ 115 mil.

O deputado arrecadou ainda dinheiro que foi destinado à campanha eleitoral do deputado federal eleito Edson Giroto, do PR (R$ 9 mil); do também deputado federal eleito Reinaldo Azambuja, do PSDB (R$ 150 mil) e do senador eleito Valdenir Moka, do PMDB (R$ 152 mil).

Duas empreiteiras figuram como financiadoras da campanha de Ary Rigo: a Nautilus Engenharia (R$ 70 mil) e a Constran S/A – Construções e Comércio (R$ 80 mil).

Saiba mais sobre o assunto em notícias relacionadas, logo abaixo:


Notícias relacionadas
04/11/2010
14h56 Na defesa, advogado de Ari Artuzi quer arquivamento da CPI da Saúde na Câmara
03/11/2010
12h14 Sem convencer corregedoria sobre corrupção, Rigo volta à Assembleia e será notificado
27/10/2010
16h31 Movimentos sociais querem devolução de dinheiro supostamente desviado da ALMS
11h30 Ex-presidente da OAB: Jogo do bicho banca Jerson, mas MPE é "surdo, cego e mudo"
13/10/2010
17h15 Pivô de escândalo no Parque dos Poderes, Ary Rigo pede licença com atestado médico
04/10/2010
12h18 Puccinelli ataca Rigo, mas muda discurso e "ainda não sabe" se irá processá-lo
03/10/2010
21h32 Pivô de escândalo, Ary Rigo perde quase metade dos eleitores e está fora da Assembléia
21/09/2010
14h45 Escândalo: Rigo revela como funcionaria corrupção no Parque dos Poderes de MS

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Eleição de Dilma e vitória de Serra em MS deixam ‘em aberto’ disputa política, afirma Vander Loubet

Celso Bejarano
Alessandra de Souza


A vitória do PSDB de José Serra sobre o PT da presidente eleita Dilma Roussef aqui em Mato Grosso do Sul deve provocar um reboliço político daqui para frente no Estado. Ao menos essa é a interpretação do deputado federal reeleito Vander Loubet, do PT.
O parlamentar crê no que ele chama de uma repactuação política. E o que seria isso? Para Loubet, a primeira mexida política daqui em diante seria a ruptura da aliança composta pelo PMDB do governador André Puccinelli, com o PSDB, DEM e PR. Esse pacto seria desfeito por conta das eleições municipais de 2012.
Loubet comentou ainda, em entrevista concedida ao Midiamax, no domingo à tarde, os projetos de seu partido, o PT que, para ele, saiu fortalecido da disputa estadual, mesmo com a derrota de Zeca do PT.
Para o deputado federal, o senador Delcídio do Amaral é o candidato ao governo em 2014, mas com uma condição: “ele vai ter de fazer gestos” pelo partido.
Loubet cita também que as críticas disparadas contra Lula, e o desprezo pela candidatura de Dilma, deixaram Puccinelli numa situação difícil quanto à relação política entre o governo de MS e o governo federal.
Por conta das divergências políticas com o PMDB, que teria dado as costas para o projeto proposto por Dilma, o deputado federal acha que o comando das autarquias federais, como Incra, Funasa e Ibama, devem ficar sob o domínio do PT. “Merece cargos quem realmente brigou pela eleição de Dilma”, disse ele.
Leia a integra da entrevista do deputado federal reeleito com 117 mil votos em 3 de outubro passado.
Midiamax – Deputado, a derrota de Zeca do PT para o principal adversário político, André Puccinelli, fragilizou os projetos de seu partido?
Vander Loubet – Não, pelo contrário. Zeca obteve 530 mil votos, um número expressivo. Creio que ficamos fortalecidos. Elegemos um senador, dois deputados federais e sete deputados estaduais pela nossa coligação. Não vejo fragilidade. E eleição é assim: perdemos hoje, vencemos amanhã...
Midiamax – Quanto a Zeca do PT, que acha, ele segue na política?
Vander Loubet – Precisa, ele tem compromissos com os 42,6% dos votos válidos. Eu já comando uma articulação em Brasília, ele deve ser encaixado num cargo federal por lá. Ainda não conversei com ele, e nem sei se quer sair daqui. Mas já articulo isso. Articulo ainda a ida de Valter Pereira [senador] e Dagoberto Nogueira [deputado federal], nossos parceiros, que brigaram pela candidatura de Dilma.
Midiamax – E quanto aos cargos de chefia nas autarquias federais aqui no Estado, o PT deve brigar por seus comandos, algumas delas são coordenadas por membros ligados ao PMDB, por exemplo.
Vander Loubet – Penso assim: merece cargo aquele que realmente contribuiu com a campanha de Dilma. E vimos quem incorporou a campanha. Isso não quer dizer que vamos partir para a perseguição, ou coisa assim. Mas merece quem ajudou a eleger Dilma.
Midiamax – Retomando a disputa pelo governo estadual, tanto o PT quanto o PMDB tiveram a chance de disputar juntos, numa composição parecida à adotada na esfera nacional, o PT não se arrepende de ter optado pelo confronto?
Vander Loubet – Jamais. Se fizéssemos um pacto com o PMDB, seria um desastre, a sociedade não ia entender isso. E, quase sozinhos, conquistamos meio milhão de votos, um oxigênio suficiente para disputarmos as eleições de 2012 e 2014.
Midiamax – Na disputa pela prefeitura de Campo Grande, por exemplo, o PT já teria um candidato?
Vander Loubet – Claro, temos a dona Gilda (ex-primeira dama do Estado), o deputado estadual Pedro Kemp, o Dagoberto e eu.
Midiamax – E quanto a disputa ao governo, o senador Delcídio já demonstrou interesse desde o início da campanha pela reeleição, ele é o nome mais forte?
Vander Loubet – Com certeza. Mas ele terá de fazer gestos, muitos gestos daqui para frente.
Midiamax – Como assim deputado, fazer gestos?
Vander Loubet – Gestos, muitos gestos. O Delcídio adotou uma campanha individualista, brigou por ele nessa disputa que o reelegeu. Pensou só nele, um comportamento difícil. Mas se o senador fizer gestos pelo partido, tudo bem, isso será superado.
Midiamax – Ainda sobre a campanha estadual: o governador Puccinelli ensaiou uma composição com Dilma, recuou, e acabou apoiando José, acha que isso pode prejudicar o Estado?
Vander Loubet – O Estado, não, isso não, não é postura do PT em perseguir aqui ou ali. Agora, é certo dizer que daqui para frente é impossível imaginar que Puccinelli retome uma boa relação política com Dilma. Isso é impossível. Mas os projetos, obras, recursos vindo de lá, isso não muda. Estarei lá apresentando emendas, meus colegas de bancada também. Vejo perda política para Puccinelli, apenas.
Midiamax – Disse que a vitória de Serra aqui pode mexer nas composições políticas, acredita mesmo nisso?
Vander Loubet – Claro. O PMDB venceu as eleições ao lado do PSDB, que deve lançar candidatura própria em 2012. Isso é certeza. Puccinelli e Nelsinho [prefeito de Campo Grande] devem ter interesse na disputa e cada um tem estepe fora do PMDB.
Midiamax – Estepe?
Vander Loubet – Isso, estepe. O Puccinelli é ligado ao deputado federal eleito Edson Giroto, que é do PR; já Nelsinho, ao deputado federal eleito Luiz Mandetta, que é do DEM. Viu como a situação política ficou polarizada? A eleição de Dilma e a vitória de Serra podem, sim, mexer nas alianças daqui em diante.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Giroto, ex-secretário de Obras, tem campanha bancada por empreiteiros e dinheiro de André

deputado federal eleito (esquerda na foto) disse ter gastado R$ 3 milhões na campanha eleitoral, sendo que R$ 1,6 milhão saiu do bolso de 11 empreiteiros e, segundo ele, R$ 1 milhão da conta bancária de Puccinelli



Celso Bejarano

O deputado federal eleito Edson Giroto, do PR, declarou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que sua campanha eleitoral consumiu R$ 3.029.400,00, R$ 1.637.000,00 dos quais saíram dos bolsos de empreiteiros que tocam obras aqui em Mato Grosso do Sul.
Antes de estrear na política como o deputado federal mais bem votado nessa eleição, com 147 mil votos, Giroto ocupava a secretaria estadual de Obras.
O eleito contou também com uma generosa quantia doada pelo governador eleito André Puccinelli, do PMDB, que injetou R$ 1.034.150,00, dinheiro emitido em cheques, na campanha de Giroto, segundo dados disponibilizados na internet desde a tarde desta terça-feira pelo TSE.
Do bolso de Girotto, saíram apenas R$ 6 mil, segundo sua prestação de contas entregues ontem ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral).
De acordo com a prestação de contas de Giroto, ele recebeu doações dessas empresas:
1 – Cbemi Construtora Brasileira e Mineradora Ltda (R$ 300 mil);
2 – Consegv Planejamento e Obras Ltda (R$ 163 mil);
3 – Conspar Engenharia Ltda (R$ 25 mil);
4 – Construtora Alvorada Ltda (R$ 120 mil);
5 – Construtora Brasil Central Ltda (R$ 100 mil);
6 – Engepar Engenharia e Participações Ltda (R$ 50 mil);
7 – Equipe Engenharia Ltda (R$ 200 mil);
8 – Geoserv Serviços de Geotecnia e Construtora Ltda (R$ 400 mil)
9 – Proteco Construções Ltda (R$ 50 mil)
10 – Serveng Civilsan S.A. Empresas Associadas de Engenharia (R$ 100 mi) e
11 – Sipav Serviço e Recuperação, Pavimentação Ltda (R$ 30 mil)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Mesmo com a ‘ingratidão’ de Puccinelli, Dilma deve tocar mais obras em MS, acredita petista


Celso Bejarano


Para Pedro Kemp, Dilma Roussef, deve manter os investimentos no Estado

O deputado estadual reeleito do PT, Pedro Kemp, disse que embora o governador reeleito André Puccinelli, do PMDB, tenha “virado às costas” para a candidatura da presidente eleita Dilma Roussef, Mato Grosso do Sul pode contar com a vinda de mais recursos federais.
“Nosso governo não é igual ao dele [Puccinelli], não vê distinção partidária e, sim, cuida do interesse público”, afirmou Kemp.
Puccinelli foi o único governador peemedebista a desprezar a candidatura de Dilma, mesmo com o PMDB disputando a presidência ao lado do PT.
Para o deputado Pedro Kemp, o governo de Lula “salvou” a primeira fase do governo de Puccinelli, com a liberação de recursos, por exemplo, para custear obras de saneamento e construção de casas.
“Ainda assim, o governador foi ingrato com Lula e Dilma. A postura política de Puccinelli, o comportamento dele quanto à candidatura de Dilma foi vergonhoso”, alfinetou o petista. Puccinelli preferiu apoiar o PSDB de José Serra.
“Mas posso garantir que o governo de Dilma vai continuar investindo em obras aqui no Estado. Não vai haver retaliação. O PT não faz como Puccinelli, que promete apoio somente a quem reza a cartilha dele”, acusou o petista.
Cargos
Pedro Kemp disse ainda que alguns órgãos federais, como Funasa e Incra, devem ser comandados daqui para frente por membros do PT. Ele acha que os projetos desenvolvidos nessas entidades foram abandonados. Hoje, esses órgãos são chefiados por indicados por partidos aliados dos petistas.